livros

Lucille, de Ludovic Debeurme

8:48 PM

Dias atrás resolvi arrumar meu guarda-roupa (que estava uma loucura, desde que havia chegado de viagem), e no meio do processo encontrei Lucille, uma obra que muito me marcou e que me encanta fortemente. Relembrei então da resenha que havia feito dela no meu antigo blog, e que era simplesmente uma das minhas postagens preferidas! Logo me veio um lampejo de reposta-la aqui, visto que as sensações causadas pela leitura da HQ - constatadas após uma passeada por suas páginas nesse mesmo dia da arrumação do guarda-roupa-  continuam as mesmas.

Originalmente, a resenha foi postada em 27 de Janeiro de 2016.

"Nas férias eu sempre viajo para a cidade dos meus avós (na verdade, estou aqui no momento). Da última vez que vim, em Julho do ano passado, estava andando pelo shopping  (tinha acabado de assistir Paper Towns ♡) quando avistei uma feirinha de livros, e é lógico que eu fui dar uma olhada!

Haviam vários títulos por apenas R$5,00, R$10,00, e R$15,00. Eram muitos, e como a maioria deles eram desconhecidos ficou meio difícil de escolher, por isso fui passando de livro em livro, lendo as sinopses para escolher um que me agradasse. Até que vi Lucille, e foi amor a primeira vista.


Lucille é uma graphic novel francesa (basicamente uma história em quadrinhos, só que maior). Lembro de ter comprado por 15 dilmas, mas nas lojas virtuais ele costuma ser um pouquinho caro (algo entre 35,00 e 50,00 reais). O que mais me chamou a atenção foi sua capa e acabamento, e então li a sinopse, o que acabou contribuindo para que ele me ganhasse de vez.



Sinopse: Lucille é fascinada pela beleza de Linda, sua boneca magra e esbelta. Arthur deve seguir os passos do pai - seu nome, a pesca, o alcoolismo, o suicídio. Dois jovens com destinos certamente infelizes, que, após alguns acasos, decidem fugir juntos dessa má sorte. Em 'Lucille', Ludovic Debeurme desvela as fantasias e pesadelos dos jovens adolescentes.


Na história, que é apresentada hora pela visão de Lucille e hora pela de Arthur/Vladimir somos apresentados às inseguranças dos personagens principais, que estão sendo submetidos, cada um de sua maneira, à problemas relacionados ao início da vida adulta com uma pitada de dramas familiares e conflitos internos.




A atmosfera da trama por vezes se mostra onírica e cheia de devaneios em virtude da aura sonhadora dos personagens principais, que anseiam mais do que tudo se livrarem do legado que lhes foi imposto, mesmo antes de nascerem  (no caso de Arthur). Mas a história em si não deixa de ser real, e em vários pontos você enxergará nos personagens adolescentes normais como você e eu somos ou já fomos, e sentirá na pele as suas inquietações.


Os personagens, embora comuns, têm em si toda essa carga que adolescentes e jovens carregam, como pressão familiar, dúvidas sobre o futuro, e  falta de aceitação com o corpo. O desfecho é bem triste e me deixou surpresa, apesar de eu não esperar algo diferente de como aconteceu.

Acompanhar Arthur e Lucille na sua jornada de autodescoberta é uma tremenda experiência pois, como é comum acontecer com grandes personagens, eles vão crescendo gradualmente assim como sua relação, que desencadeia uma evolução capaz de passar ensinamentos múltiplos ao leitor.

Eu adorei a leitura, achei tudo muito cativante e fiquei bastante emocionada em alguns pontos. Indico para qualquer leitor, tanto adolescente, quanto adulto, apesar de que se você for muito "novinho" talvez não consiga entender bem o que o autor pretende passar :/ Sem falar que o livro contém aqui e ali algumas partes meio "adultas" (mas nada muito explícito, é claro!).





Como disse no início, foi a aparência do livro que me fisgou. A editora Leya manda muito bem no quesito, e como esse é o terceiro livro deles que adquiro e percebo essa ótima linha de edição acredito que se trata de um padrão da editora. Além do ótimo acabamento, não encontrei nenhum errinho. Pois bem, eles estão de parabéns!


Já sobre o desempenho do autor, Ludovic foi feliz com o desenvolvimento da história e conseguiu muito bem passar não só uma, mas diversas lições aos leitores, além de ter acertado em cheio nas ilustrações que seguem uma linha meio minimalista, tendo como função dar foco principal a história.


O livro termina com um surpreendente “Fim da Primeira Parte”, o que me deixou bem feliz inicialmente, mas depois fui pesquisar e descobri que a continuação, intitulada de “Renée” não foi publicada no Brasil ainda :\ LEYA POR FAVOR PUBLICA LOGO!!!

Não costumo dar notas nas minhas resenhas, mas se fosse dar uma para Lucille seria 4,5/5!

PS* O livro/hq tem 544 páginas, mas não se assustem, pois além dos desenhos terem um tamanho significativamente grande, a leitura flui muito bem já que os diálogos são curtos e diretos, inclusive terminei de ler cerca de duas horas depois de ter iniciado!



Espero que possam ler, e se encantar assim como eu. Beijos!




beleza

Opções para quem quer aderir um armário Slow Fashion

1:30 PM


O conceito de ter um armário mais consciente, versátil e que transmitisse meu verdadeiro estilo se formou em mim após várias madrugadas lendo sobre ármario-cápsula (ainda me lembro da primeira vez que tive contato com o tema, foi no Teoria Criativa, que agora é gabibarbosa.com <3 ), filosofia e estética minimalista e busca pelo estilo próprio (esse post da Bruna Sarga e esse da Clara Rocha são ótimos exemplos). 

Apesar de estar sendo muito debatido, acredito que muita gente não deva de fato conhecer o sentido de Slow Fashion. Então afinal, o que bulhufas é isso?

"O slow não é um conceito que vai e vem. Na moda, é um movimento sustentável, uma alternativa à produção em massa, que vem ganhando força e veio pra ficar. Foi criado pela inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion, inspirado no movimento Slow Food." (definição retirada do Review Slow Living, e se você ficou curioso pode ler mais aqui).

Sem muito me prolongar, trouxe aqui um apanhado de opções para quem deseja dar uma respirada fora do Fast Fashion e deseja adquirir peças de forma mais equilibrada, sustentável e reflexiva.

LOJAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA

São lojas que abraçaram a proposta de produzir de forma sustentável e responsável. A ideia é que você possa estar apar de "quem produziu sua roupa", visto que a própria loja é responsável pelos tecidos, pela fabricação das roupas, e algumas até pelo próprio tingimento. Além disso, em algumas dessas lojas as roupas são produzidas sob medida exclusivamente para você!

Ainda não tive a oportunidade de adquirir peças dessa forma, visto que precisarei de mais planejamento ($$$$), mas as que indico aqui seriam minhas primeiras opções de compra.

Brisa SlowFashion

A Brisa tem sido uma das lojas brasileiras de Slowfashion mais conhecidas por seu design atemporal, produção ôrganica e promessa de baixo impacto ambiental.


Gioconda Clothing

A Gioconda é uma loja de mulheres feita para mulheres. Seu foco principal é a produção de roupas íntimas de algodão, que valorizam os traços femininos e sua saúde,  quebrando o estigma das lingeries que servem apenas o propósito de sexualizar a mulher.


ZAYA atelier

Eu sou louca para adquirir uma peça da zaya! É um ateliê muito amorzinho de São Paulo que produz e tinge as próprias peças, que são básicas e confortáveis, mas sem deixar de serem modernas e muito, marmuito bonitas <3 
Eles vendem apenas pelo whatsapp e DM do instagram.


BRECHÓS

Não é de hoje que os brechós têm chamado nossa atenção e ganhado espaço no cenário da moda. Compra e venda de roupas usadas têm sido um dos meus meios preferidos para atualização do guarda-roupa, e os brechós são um ótimo caminho para isto.



1. @velharia_brecho: Brechó de Londrina, PR. As peças são lindas e com uma pegada vintage, eles enviam por correio e aceitam apagamento por meio de depósito bancário e pagseguro. 

2. @thevirtualbazzar: Conheci a pouco tempo, mas acho as roupas selecionadas muito lindas e indico muito que vocês deem uma olhada. Uma característica deles que achei incrível é que a cada peça vendida um real será doado para a caridade, dessa forma assim que completados 50 reais é feito uma cesta básica de alimentos e marmitas são preparadas e entregues em praças para pessoas necessitadas. Muito amor, né?

3. @stm_brecho:  Esse é de SP e também envia pelos correios. É um dos meus preferidos, mas nunca consegui comprar nada porque as seguidoras são simplesmente rápidas demaisss, quando vou começar a comentar "quero" um monte e gente já falou primeiro hahaha uma dica boa é assinar para receber as notificações de postagem. 

*outro brechó que não está na lista mas tenho um super carinho é o @gouti.brecho, a dona tem um carinho imenso por cada peça e as envia para os clientes limpinhas e cheirosinhas. Tenho um short de lá que já tem quase vida própria do tanto que uso*

COSTUREIRAS


A minha avó é costureira e eu tenho um carinho imenso pela profissão. Algumas pessoas dizem que não confiam e acham que as roupas não ficam tão bonitas e bem feitas quanto as das lojas, mas eu acho exatamente o contrário. Ao fazer roupas em uma costureira, além de estar contribuindo para a renda daquela pessoa (que muitas vezes é do seu bairro) você tem a oportunidade de acompanhar o processo de produção da roupa e ainda pode experimentar para saber se ela vai mesmo ficar boa no seu corpo, pra quê coisa melhor? 

Como para tudo, é sempre bom buscar refêrencias, e também sempre ficar de olho no tecido que você escolheu, ás vezes o tecido é que não é muito bom e as pessoas atribuem sua deteriorização a quem fez a roupa, o que não tem nada a ver. 

Boa parte das minhas roupas foram confeccionadas pela minha avó e eu sou apaixonada por todas essas, além do que as que não serviam mais consegui vender bem fácil, pois estavam em ótimo estado!

E é isso pessoal, se tiverem mais indicações de lojas, ateliês e brechós (que já sigo aos montes) fiquem a vontade para compartilhar, eu vou adorar! 

nesse meio tempo

Nesse meio tempo #3

12:21 PM

No Tô Bem, Tô Zen eu mantinha uma espécie de coluna (parando para pensar eu não mantinha de fato, já que não era atualizada, mas ok) chamada "nesse meio tempo", e eu a adorava pois foi justamente com seu início que dei pontapé nesse negócio de expor com mais sinceridade os meus sentimentos no que escrevia para os leitores. Dessa forma, decidi continuar com ela, mas agora aqui no Take me to Budapest. 

A ideia geral desse tipo de post é meio que atualizar vocês em relação a que pé anda minha vida e o que raios tem acontecido comigo nesses momentos em que eu dou aquela sumida marota e desapareço daqui.


Sem mais delongas, nesse meio tempo pensei e repensei na minha constituição como sujeito constantemente como nunca antes havia feito. Acredito que o maior motivo disso tenha sido o aniversário-de-mudança-de-cidade, já que no final de Abril/início de Maio fez um ano que eu vim morar em Parnaíba e mesmo me fazendo de durona, esse momento mexeu muitíssimo comigo, visto que instantaneamente me vi pensando em como esse ano me afetou, nas experiências que vivi aqui, pessoas que conheci e tudo o que aprendi (e é claro, nos tapas na cara que levei da vida).


Virei Parauiense de vez. "parauiense" seria um trocadilho para a junção de paraense+piauiense. Para quem não sabe, eu sou do Pará, mas agora estou morando no Piauí, e uma das conclusões que tirei enquanto pensava sobre os meus dias por aqui foi que eu estou definitivamente apaixonada pelo nordeste! Gente, sério, acho que só quem é daqui ou já visitou consegue entender o que estou dizendo, e inclusive fica meio complicado explicar essa sensação, visto que é um sentimento muito abstrato em mim. Mas o fato é que não quero arredar o pé daqui tão cedo, o que já me faz pensar sobre um possível mestrado pela região (olha a louca, acabou de sair do terceiro período e já está idealizando o mestrado).

Aliás, uma amiga criou um blog bem maneiro onde ela compartilha pontos turísticos e lugares para se visitar aqui no litoral piauiense, é a Bi do Uma Sereia Urbana, vale a pena dar uma conferida <3



Como supracitado, concluí o terceiro período do curso, Psicologia  aqui na UFPI conta com 10 períodos, ou seja, ainda estou meio longe de terminar haha. Mas ainda assim devo dizer que este semestre foi um divisor de águas e sua importância para mim foi extrema. Enfim começo a me encontrar na psicologia e perceber quais possíveis caminhos irão trilhar minha trajetória na graduação, apesar de estar tendo cuidado com o imediatismo. Além disso, notei uma diferença na minha criticidade em relação as informações que recebo e perpasso, o que eu considero essencial no mundo universitário.


Alcancei as 19 primaveras. Isso é tão louco! Algumas vezes nem acredito que terminei o ensino médio a dois anos e estou aqui realizando o meu sonho de morar fora de casa e estudar o curso que sempre quis, por isso foi complicado o dia do meu aniverásrio (18/05), geralmente levo a data de boas e até gosto de comemorar, mas este ano preferi refletir bastante e até fiquei meio mal humorada. É surreal quando você se dá conta de que a vida realmente passa feito um sopro de areia na praia, não há como segurar sua linearidade e tão pouco como voltar atrás. Reconhecer e aceitar esse fato tem me dado muita dor de cabeça.